Ganhos da quarentena

Não foram só quilos e espinhas que ganhei neste período incerto e nebuloso em que estou vivendo.

Descobri online algumas grandes pessoinhas que passaram a fazer a diferença no meu dia a dia. Eu as sigo quase que diariamente a fim de me alimentar dos seus conteúdos os quais, sem dúvida, conectam comigo e colaboram para construção do meu conhecimento.

Eu as chamo de musa, gêmea, mentora, amada, deusa, guru. Na verdade, gostaria mesmo de chamá-las de amigas, daquelas que a gente sai para tomar café e comer pão de queijo e claro papear sobre a vida.

A internet tem me possibilitado acessos inimagináveis, tenho aprendido muito sobre produção de conteúdo, militância e cultura negra.

Eis os meus ganhos, pessoas muito boas, que eu admiro:

– Ana Holanda

Muita gente fala que os cursos de escrita da Ana são maravilhosos e mudam a vida de quem escreve (ou não). Eu gosto bastante de quando ela fala sobre escrita afetiva, de vir de dentro, de jogar luz e de compartilhar com o outro nossas palavras.

Tive a oportunidade de escutá-la em algumas lives e, realmente, os papos com a Ana se resumem em aprendizado e afeto. Ana espalha amor pelas palavras. O seu melhor conselho é esse: deixe a palavra te conduzir.

Às vezes o texto dói, às vezes te alegra ou entristece. Palavra é sentida, no corpo e na alma. Sempre foi. A gente é que abafou e se blindou deste sentir. Perceba os desconfortos que a escrita lhe causa, eles podem lhe ser seu guia. A gente escreve pra se encontrar com a gente.

– Beta

Eu já contei a ela que foi por causa do seu extinto blog que comecei a escrever o meu. O nome da Beta encabeça a minha lista de inspirações. Tudo que ela publica eu aplaudo. Também me identifico com o seu olhar melancólico diante das incertezas do momento.

Ela me lembra uma personagem de filme noir francês. Poemas, artes, fotos, letra; tudo que compõe seu feed tem um ar de indie classudo.

– Ana Lu

Tenho vontade de colocar a Aninha dentro de um potinho de tão preciosa que ela é.

Ela escreve de dentro (discípula de Ana H.), de forma simples e potente. As palavras que saem do fundo do seu coração brotam direto na tela do meu celular, em forma de notificação. Além disso, a Ana curte os podcasts que eu escuto, lê Vida Simples, é fã de Ruth Manus e Martha Medeiros, é a louca das listas e ainda faz rotina de skincare.

Ou seja, A GENTE TEM ASSUNTO PRA VIDA INTEIRA.

– Maria Vitória

Maravilhosa. A cada post seu, eu me vejo sentada numa sala de aula com caderno e caneta a postos, já que seus conteúdos ajudam escritores independentes e produtores de conteúdo, assim como eu.

Ela fala sobre estratégias para instagram, escrita criativa, produção de conteúdo e vivências negras.

Ela também é extremamente necessária quando o assunto é: desigualdade racial, racismo e seus efeitos.

Eu abri a minha bolha branca cheia de privilégios e a convidei para uma visita. Ela não só aceitou como me respondeu:

“O processo de desconstrução do ser humano é a passagem da vida mais importante e significativa, uma vez que se percebe seu lugar no mundo e entende as condições sociais ao qual se está inserido e tenta, de uma maneira singular mudar a realidade. Gostei muito das suas reflexões e informações, são posts realmente bem estruturados e que mostram várias verdades e apontamentos racistas em que as pessoas brancas adotam ao longo de suas vidas. É uma leitura leve e didática, mesmo o assunto sendo extremamente sério e isso é muito bom, porque traz a opção de atingir muito mais pessoas. Obrigada por compartilhar seus textos comigo, estou passando a seguir seu blog para acompanhar mais de perto os próximos temas que virão”.

– Bruna Cosenza

Criadora do meu blog preferido, Para Preencher, cujas palavras transbordam sentimentos. As suas dicas de escrita caem como uma luva para mim. Ela também fala sobre a liberdade de ser freelancer, felicidade e gratidão, saúde mental e tantos outros assuntos dos quais muito se fala hoje em dia. Sempre de forma LEVE.

Por muito tempo, eu deixei de escrever porque achava que precisava aprender tudo antes para ter um texto perfeito. A Bruna me ensinou que devo apenas escrever, sem rodeios e sem pensar muito. SEM MEDO!

“Escrevo para preencher quem está vazio, quem está pela metade. Para Preencher alguém em algum lugar”.

Iruama Santana

Mais uma blogueira/ influenciadora falando sobre cuidados com a pele, beleza e bem-estar! NÃO! A Iru trata desses assuntos (de suma importância para mim, ok?) de forma humanizada, real.

Vocês não têm ideia do quão complexo é lidar com a pele. Mas a Iru tem! Ela narra seus altos e baixos no convívio com a rosácea, divide seus tratamentos e suas frustrações. Ah, e sempre responde os meus comentários e directs. Adoro!

Seu maior segredo de beleza? “Paciência e dedicação valem a pena, sempre, em qualquer área da vida”.

“Será que a gente precisa estar 100% para se sentir 100%? Já disse que não enxergo coisas normais da pele, poros, por exemplo, como imperfeições. São características normais. É claro que algumas características mais acentuadas podem incomodar. Porém, tentar controlar tudo para manter um padrão inventado e espúrio nos leva a uma constante insatisfação.

Pois, o que nos parece grande, aos olhos de outras pessoas, pode nem ser nada. Porém, há mais uma coisa: ter me desligado dessa questão da acne durante o dia inteiro, me fez nem pensar ou perceber se estavam reparando ou não… A mudança que queremos, realmente, começa em nós”. ⁣

Edgard Abbehusen

Quem me indicou o instagram do jornalista baiano que se diz sonhador de um mundo melhor foi minha best Neide.

Desde então, suas publicações de textos, frases, crônicas e poemas de amor são aplaudidas por mim e mais uma legião de seguidores.

Para todos que estão vivendo um momento difícil, as palavras do Edgard nos ajudam a reaprender a amar e a continuar. A fazer novos caminhos, outras escolhas.

“Edgard cuida de si e do outro quando escreve. É cuidado em forma de palavra”. – BRÁULIO BESSA, POETA E ESCRITOR.

Pastor Henrique Vieira

Pastor, ator, escritor, poeta e militante na defesa dos direitos humanos. Bastou escutá-lo uma vez no podcast Mamilos, junto com a psicanalista Maria Homem, que passei a segui-lo e a escutar suas falas calmas e tocantes sobre fé, amor e revolução.

Ele me faz olhar para dentro e para fora, com solidariedade e compaixão. Ele me faz acreditar que o sol não deixa de brilhar mesmo em dias chuvosos!

Ele me ajuda a ter fé na vida, confiança na bondade e perseverança no amor.

“Não temos controle sobre todas as variáveis da vida. Esta perspectiva não deve nos levar ao desespero, mas provocar em nós a valorização das coisas simples e singelas, do tempo presente. Deve nos levar ao cuidado conosco e com o próximo. Deve nos despir de toda vaidade e ganância e abrir nosso peito para um encontro fraterno com a humanidade. Diante da nossa fragilidade podemos dar um sentido mais intenso e amoroso para nossa existência. Olhar para dentro e acolher nossa fragilidade e olhar para fora e amar a humanidade e toda Natureza da qual ela faz parte”.

Escrevo, logo existo

Write for Yourself​!

Estou escrevendo para um público de um. Eu escrevo para mim. Gosto de chamar de escrita egoísta.

“Por que resolvi escrever? Temia a noite, o esquecimento; o que eu vira, sentira, amara, era-me desesperante entregá-lo ao silêncio. Comovida com o luar, aspirava logo a uma caneta, a um pedaço de papel e a saber utilizá-los. Escrevendo uma obra tirada da minha história, eu me criaria a mim mesma de novo e justificaria a minha existência”.

Comecei a escrever este blog logo após de ler o parágrafo acima, assinado pela escritora francesa Simone de Beauvoir*. Dentre todos os meus vícios, a escrita tornou-se o mais secreto e saudável deles. Foi a melhor forma que encontrei para passar o tempo, aprimorar a minha ‘habilidade’, evoluir pessoal e profissionalmente, extravasar meus pensamentos.

“Construir um espaço online para você, onde seja possível se expressar e mostrar o seu trabalho, ainda é um dos melhores investimentos do seu tempo”, afirmou Andy Baio, um tecnólogo e blogueiro americano.

Este blog tem sido meu caderno de anotações, meu escritório, minha vitrine, meu ateliê de ideias, meu desabafo.

A procrastinação mais sadia que já tive!

Talvez escrever me salve diariamente de não enlouquecer de verdade. Quando comecei a escrever, foi para não me assustar tanto guardando só para mim.

Escrever não é um dom, uma iluminação; é um ofício, uma habilidade que se desenvolve. E, quanto mais  familiarizado se é com a escrita, melhor se escreve.

Escrever bem é uma prática e uma vocação.

E, toda vez que releio meus textos, faço uma ou outra alteração: “Será que o leitor vai entender o que eu estou tentando dizer?”, “Será que eu estou me entendendo?”, “Se usar outra palavra em vez dessa, serei mais clara?”, “Será que os leitores irão se identificar com esse assunto?”.

Sempre acho que (o texto) ainda precisa de um ajuste.

Aprender profundamente sobre algo é um processo sem fim.

Nossa definição de ‘suficiente’, ou ‘melhor’ é reajustada conforme evoluímos.

O tão esperado final nunca chega.
Muito menos a ‘validação’ de saber o suficiente.
Quanto mais aprendemos, mais perguntas temos.

Depois do começo, existe apenas ‘a caminhada’.

Por isso é tão importante curtir o processo.
É a melhor forma de continuar caminhando 🙂

A jornalista Ana Holanda disse: “Achava tudo incrível num primeiro momento, mas bastava me distanciar um pouco daquelas palavras que tudo aquilo me parecia uma tremenda bobagem. E pensava ‘quem sou eu para achar que posso escrever um livro?, ‘quem vai se interessar por isso?’”.

Eu escrevo por muitos motivos. Um deles é para dar voz aos meus sentimentos, para deixá-los vir à tona e não permitir que me afoguem.

Tudo o que eu escrevo nunca tem fim! É uma evolução contínua da minha ‘aptidão’ e de mim mesma. E por que eu faço isso? Para atualizar o conteúdo, torná-lo melhor e beneficiar as pessoas que o leem.

Acredito que, por meio da escrita, eu possa encontrar o significado da minha existência, assim como Simone de Beauvoir encontrou a sua. Escrever é uma escavação! “É como conversar com o psiquiatra”, esbravejou Sir Paul McCartney. 

Escrevo o que eu quero ler, e espero que os outros queiram ler também. Sinto, elaboro e coloco na tela meu diário de vida.  Toda crônica é uma espécie de papo.

Para ser um escritor, respeite a sua essência” – Bruna Cosenza.

Escrever é um exercício de coragem. 

Assim como a Bruna, também sempre fui muito insegura com a minha escrita. Demorei para criar coragem e divulgar as minhas palavras para o mundo.

Fico me questionando se tudo o que eu escrevo é péssimo, sem valor.

Tenho receio de não escrever nada interessante ou de não saber o ponto de partida, de parecer boba ou piegas, de não agradar, de não ser lida.

Entendi que é possível escrever bem e de maneira simples.

Isso não significa que não possa sempre aprimorar a minha escrita e ouvir conselhos de grandes mestres.

Nesse momento, abraço a simplicidade de coração aberto. É isso que norteia a minha escrita.

“Tive que reaprender a admirar a minha própria escrita e aceitar que sempre terei como evoluir. Sempre poderei aprender mais e aprimorar o que não está tão bom. No entanto, jamais devo perder a minha essência”, escreveu Bruna Cosenza, produtora de conteúdo e escritora do blog Para Preencher.

“Até por que se deixar de escrever como e sobre o que gosto, essa atividade irá perder o significado em minha vida”, continuou.

Nenhum escritor deve, de maneira alguma, perder aquilo que tem de mais singular.

“Por mais que a atividade de um escritor seja muito solitária, para se ter ideias e fazer boas reflexões é preciso viver”.

A escritora Ruth Manus desabafou: “Gostaria de ser mais segura, confesso. Mas não. Eu só funciono aos trancos. Sou aquela que precisa de um empurrão para cair na piscina gelada, a que precisa de mil confirmações para acreditar que está no caminho certo e que, ainda assim, tem um “Será?” persistente, alojado no alto do ombro, sussurrando dúvidas toda hora no ouvido.

Resolvi ouvir a minha intuição e agir!

A arte de escrever nos coloca a frente de muitos desafios.

Primeiramente temos que acreditar que aquela história vai fisgar a atenção do leitor e que o que você tem a dizer, que o mundo que você criou, tem valor e vai habitar a mente de milhares de leitores.

Você, escritor, escritora, tem que acreditar na sua história antes de qualquer outra pessoa, pois é você quem faz um pacto com o tempo e fica horas e horas diante de uma tela de notebook, diante de um caderno ou qualquer outro meio que traga da sua mente para mundo visível, perceptível, a obra que você criou.

Comecei achando que ia conseguir reservar um tempo todo dia, com calma, em que sentaria plena na minha escrivaninha e conseguiria fazer tudo. Mas a vida não é bem assim. O tempo foi passando e eu percebi que tinha que escrever onde desse.

O medo de cometer erros de português pode se tornar um grande empecilho na hora de produzir um texto. “”Em vez de se preocupar exageradamente com as normas gramaticais, é melhor investir na leitura e exercitar a escrita com regularidade”, aconselhou o redator Rodnei Silva:

“Você não precisa ser um membro da Academia Brasileira de Letras para escrever bem (…). O segredo para (…) escrever sem medo de tropeçar na língua portuguesa está na prática. Como? Escrevendo todos os dias”.

Escrever é materializar o que já existe no seu coração. Como em tudo na vida, a prática leva à perfeição.

“Não escrevo para fora, escrevo para dentro”, lembrou a escritora Clarice Lispector. As ideias surgiam a qualquer hora, em qualquer lugar. Por isso, adotou o hábito de anotar as ideias em qualquer pedaço de papel.

A escritora dizia que escrevia para se entender e para “dizer o indizível”. Temas como a angústia da existência humana, o mal estar cotidiano, o nada, o amor e a liberdade.

Escrevo movido pelo que mais me paralisa. Nem tudo o que me faz parar eu transformo em literatura, claro, mas só consigo escrever quando paro e reparo, sobretudo no que há de aparentemente mais banal e sem importância. O que seria de um escritor que não repara na superfície e na fundura das coisas, das cenas, das pessoas? Para mim, escrever não é um fim; é a consequência do quanto acho irresistível esse permanente exercício de catar assombro no cotidiano”.

Marcio Vassallo, escritor carioca.

Temas a serem debatidos:

Acolhimento, empatia, envelhecimento, morte, uso de tecnologias e passagem do tempo, tópicos importantes para a construção emocional e intelectual dos adultos.

Histórias, memórias, conversas, leituras.

Nota:

* “Não se nasce mulher, torna-se”. Simone de Beauvoir escreveu uma obra filosófica sobre a condição feminina em 1949; obviamente foi atacada, geralmente o que acontece com todas as mulheres que desafiam seu tempo.

Em “A força da idade”, Beauvoir revelou que, além da ânsia pela liberdade, tinha uma “obstinação esquizofrênica pela felicidade”.

“Em toda a minha existência, não encontrei ninguém que fosse tão dotada para a felicidade quanto eu, ninguém tampouco que se prendesse a isso com tamanha obstinação. Logo que a toquei, tornou-se minha única preocupação”.

Mais uma curiosidade…

“Todo ano, um milhão de mulheres fazem aborto na França. Eu sou uma dessas mulheres. Eu abortei”. O manifesto foi assinado por 434 mulheres e publicado no Nouvel Observateur, em 1971. 

A redatora do manifesto era ninguém menos que Simone de Beauvoir.

“E nenhum poema será tão grande, tão nobre, tão verdadeiramente digno de nome de poesia quanto aquele que foi escrito tão só e apenas pelo prazer de escrever um poema”.

Edgar Allan Poe

“Todo texto deveria ser aceito como documento oficial de identidade. Quando escrevemos, vamos em busca do nosso rosto, da nossa personalidade. As palavras surgem e revelam nosso nariz, nossos olhos, nossa boca silenciada”.

 Pedro, o Eu Me Chamo Antônio

 “Se a minha ou a sua escrita vai alcançar centenas de pessoas no fundo isso não importa.

O importante mesmo é que ela alcance todos aqueles que estão ao redor de nós e nos leem mesmo em silêncio!”.

Maria Vítoria, a A_Estranhamente

A escritora de “Quarto de Despejo”, Carolina Maria de Jesus, que trabalhou como catadora no lixão, escrevia para aliviar o cérebro e conseguir dormir.

“Escrever é trabalhar num jardim. E eu sou um caracol. Recolhida dentro de mim, embrulhada em várias camadas de isolamento: o cobertor, a blusa de frio, a porta de casa, a quarentena, a máscara. Debaixo de tudo isso, o isolamento de estar sozinha na concha da minha consciência”. Aline Valek 

Escutar música ajuda

A música ajuda a me concentrar, a entrar em mim. Ela abre espaço, como uma boa condutora, para que a escrita venha logo atrás. É comum, quando escrevo, que feche os olhos e sinta tudo que tiver que sentir, embalada pela canção. É um processo muito bonito. Meu. Solitário. Mas que, ao mesmo tempo, me faz me sentir tão inteira.

Textos, projetos, que demandam demais da minha alma são feitos assim: com trilha sonora. Esse texto foi escrito dessa forma.

É sobre a escrita, é sobre a música, mas é sobre a gente o tempo todo.