Catadão da semana #6

Eis alguns pensamentos simples, curtos e aleatórios; dicas interessantes (ou não) que valem a pena ser compartilhadas (ou não):

. Li e gostei:

A origem dos nossos males está na comparação.

– Música é vida interior. E quem tem vida interior nunca está sozinho.

(eu poderia tatuar essa frase)

Aqueles que aceitam a chegada da morte ficam tranquilos.

– Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e dor da separação.

Para onde vão os dias que passam? Sim, eu também me pergunto: para onde foram os dias que vivi?

O boca a boca é o impulsionador mais importante do crescimento.

Porque a vida, por favor, é mais do que Covid-19 e Bolsonaro.

David Brooks, professor de Yale e colunista do New York Times, em seu The second mountain, mostra que o autoaperfeiçoamento se inicia em momentos de reflexão como os que muitas religiões incluem em seus calendários litúrgicos, mas só se completam de forma relacional, na conexão com o outro, num processo empático, de solidariedade e de construção coletiva.

Palavras da jovem brilhante Amanda Gormar:

“Quando chega o dia, saímos da sombra, em chamas e sem medo/

O novo amanhecer floresce à medida que o libertamos/

Pois sempre há luz, se apenas formos corajosos o suficiente para ver isso/

Se apenas formos corajoso o suficiente para sermos isso”.

 A poeta Amanda Gorman durante posse de Joe Biden (Foto: Reprodução/Instagram)

. Print que eu dei:

. Músicas que eu escutei incansavelmente :

– IzaLet Me Be The One

– Joss StoneRight To Be Wrong

– SZAGood Days

– Mazzy StarFade Into You

. Série que eu comecei a ver:

Já tinha ouvido falar de Insecure, da HBO, aclamada série de comédia de Issa Rae. Comecei a ver alguns episódios aleatórios da 4a temporada e gostei bastante!

A série manda a real sobre o que é ser uma mulher negra tentando se encontrar em Los Angeles, com tudo o que isso envolve: amigos, família e, sim, os romances.

Trailer da 4ª temporada

. Foto achada:

Um dia de chuva na ex-firma

Catadão da semana #5

Eis alguns pensamentos simples, curtos e aleatórios; dicas interessantes (ou não) que valem a pena ser compartilhadas (ou não):

A tristeza me desperta reflexões tanto quanto a felicidade. Ou até mais.

Deve ser porque a tristeza me ajuda na conexão com o outro. Ou até mais.

Deve ser porque, mesmo sendo a favor do sorriso largo, do bom humor e dos pequenos prazeres* que acalantam (afinal, é com insignificâncias que a vida é feita), carrego uma mini tristezinha dentro de mim desde sempre.

Tenho muitos bernes na minha alma (Rubem Alves).

E, finalmente, deve ser porque esse post da escritora Mirian mexeu comigo:

Eu a respondi desse jeitinho:

O que seriam dos poetas/escritores sem a tristeza? Estou aprendendo a abraçá-la, mas sem me apegar, tendo consciência do vazio e da dor que me traz.

Tenho certeza de que há coisas boas aí no seu dia também: um banho, um pão na chapa, um bolo com café, uma música que traz um quentinho para o seu coração, um talento/ hobby ** que te alegra.

Entregue-se a essas coisas…

E, sim, ela AMOU a minha resposta!!!

Pois é…

* Lembre-se das alegrias ao seu redor. Coisa simples e efêmera. Felicidades no plural. Porque ela não é uma e final. Sempre pequenas e passageiras.

** O talento é se permitir fazer algo que gosta, que te traga alegria pros dias nebulosos. E que, com um pouco de afinco, faz com que sejamos cada vez melhores – crochê, pintar, cozinhar, escutar os amigos…

Encontrar coisas para fazer apenas pelo fato de fazê-las, descobrir a prática pela prática, encontrar coisas nas quais é bom… Esse é o tipo de coisa que torna a vida boa.

A arte, por mais que a façamos mal, sempre estará aqui para nós quando precisarmos de significado para nossos dias (Austin Kleon).

Talentos e dons são características que ajudam a dar sentido para nossa existência.

Pão na chapa meramente ilustrativo (foto: Raimundo Pacco/Folhapress).

. Li e gostei:

Junto com o amadurecimento vem a paz do autoconhecimento.

A vantagem da solidão: sozinho, pode-se fazer o que bem quiser.

“A conversa mais importante é aquela que você tem consigo mesmo todos os dias”.

“O primeiro treino do seu atleta favorito foi tão ruim quanto o seu.

A primeira refeição do seu chef favorito foi tão ruim quanto a sua.

O primeiro trabalho do seu artista favorito foi tão ruim quanto o seu.

Continue”.

A perfeição não existe. É como a linha do horizonte. Você dá um passo à frente e ele também se move. É inacessível. 

Além disso, conforme você se move em direção à perfeição, aprende coisas novas e sua ideia anterior de perfeição se torna obsoleta. Mais aqui.

Mesmo quando a pandemia passar, se tivermos sorte, ainda estaremos aqui, tentando descobrir o que fazer com nossas vidas, tentando descobrir o que vem a seguir. Só teremos mais dias para preencher. O problema de como preenchê-los não vai embora. By Austin Kleon.

. Escutei e gostei:

Eu sou maior do que era antes. Estou melhor do que era ontem.

. Para finalizar:

Obrigada, obrigada, obrigada.

Obrigada, Deus.

Obrigada, Universo.

Obrigada, ETS (parodiando Karol Conká).

Obrigada aos que rezaram e aos que torceram.

E, obrigada a mim (parodiando Anitta).

sorriso (meio) largo.

Catadão da semana #4

Eis alguns pensamentos simples, curtos e aleatórios, compilados por mim; dicas interessantes (ou não) que valem a pena ser compartilhadas (ou não):

. Eu NUNCA tinha ouvido falar do filme Donnie Darko, conhecido por ser um dos maiores causadores de nós na cabeça do cinema!! O título de 2001 ganhou fama de cult ao longo dos anos e completou 20 anos, e eu NUNCA tinha ouvido falar desse filme bem doido!

Se você ainda não o viu, considere seriamente. A trilha sonora é muito boa, com songs dos anos 80.


Essa música é atemporal, nunca envelhece, é sempre relevante.

. Li e gostei:

Comemorar a vida no meio de uma pandemia é muito gratificante.

Nem luxo, nem lixo. Rita Lee sempre soube tudo de aproveitar a vida.

“Apesar de Tudo, Estamos Vivos!”.

O cérebro humano é uma máquina de aprendizado. Fique com isso.

“O segredo para vencer é aprender a perder.

Ou seja, aprender a se recuperar do fracasso e do desapontamento – sem se deixar abater – e continuar a marchar continuamente em direção ao seu potencial.

Sua resposta ao fracasso determina sua capacidade de sucesso”.

Às vezes você tem que passar pelo fogo. Que fogo ou dor você deve buscar em sua vida no próximo ano para poder aprender suas lições?

. Sempre vejo:

. Prints que eu dei:

. Print que eu recebi:

Selfie da vacina

Elvis já fazia antes de ser modinha.

A amiga que se foi e a amiga que me veio

Ela se foi, evaporou-se. De um dia para o outro, depois de anos de amizade, paramos de nos falar. Eu a deixei ir sem contestar, mesmo pensando nela ainda.

Nem todo afastamento tem a ver com ressentimento ou decepção. Acontece de alguns vínculos se encerrarem porque a sintonia acabou, ou seja, os envolvidos não tinham mais o que trocar.

Ela me veio. Ela retornou, na verdade. De um dia para o outro, depois de anos, voltamos a nos falar. Ainda bem, pois, neste momento, sua amizade tem sido primordial e há muito o que trocarmos.

Nós, aos 7.

Catadão da semana #3

Mais uma sexta-feira que estou aqui com alguns pensamentos aleatórios, compilados por mim, dicas interessantes (ou não) que valia a pena compartilhar esta semana:

O pintor Vincent van Gogh sobre a ação:

“Eu lhe digo, se alguém quer ser ativo, não deve ter medo de fazer algo errado às vezes, não deve ter medo de cometer alguns erros. Ser bom – muitas pessoas pensam que o conseguirão sem causar danos – e isso é mentira. Isso leva à estagnação, à mediocridade …

Você não sabe como é paralisante aquele olhar de uma tela em branco que diz ao pintor: “Você não pode fazer nada”. A tela tem um olhar idiota e hipnotiza alguns pintores a ponto de eles próprios se transformarem em idiotas. Muitos pintores têm medo da tela em branco, mas a tela em branco tem medo do pintor verdadeiramente apaixonado que ousa – e que uma vez quebrou o encanto de “Você não pode”.

Da mesma forma, a própria vida sempre se volta para um lado em branco infinitamente sem sentido e desanimador, no qual não há nada mais do que em uma tela em branco. Mas por mais sem sentido e em vão, por mais que a vida apareça morta, o homem de fé, de energia, de cordialidade, e quem sabe alguma coisa, não se deixa enganar assim. Ele intervém e faz algo…”.

Fonte: Ever Yours: The Essential Letters

– Li e gostei:

. “Não fale a menos que você possa melhorar o silêncio.”

. Get up

Get out

Go to your work.

. Can you make it simpler?

Can you make it clearer?

Can you make it better?

The answer is always yes – but only if you ask yourself the questions.

– O que eu tenho escutado:

. E a tradução?

O que o mundo precisa agora é de amor

O que o mundo precisa agora é de amor, doce amor

É a única coisa da qual tem pouco

O que o mundo precisa agora é de amor, doce amor

Não, não apenas para alguns, mas para todos

Senhor, nós não precisamos de outra montanha

Há montanhas e encostas bastante para escalar

Existem oceanos e rios para cruzar

O suficiente para durar até o fim dos tempos

O que o mundo precisa agora é de amor, doce amor

É a única coisa da qual tem pouco

O que o mundo precisa agora é de amor, doce amor

Não, não apenas para alguns, mas para todos

Senhor, nós não precisamos de outro prado

Existem campos de milho e campos de trigo suficiente para cultivar

Há raios solares e luares suficiente para brilhar

Oh, escute, senhor, se você quer saber

O que o mundo precisa agora é de amor, doce amor

É a única coisa da qual tem pouco

O que o mundo precisa agora é de amor, doce amor

Não, não apenas para alguns, mas para todos

Não, não apenas para alguns, oh, mas para todos

– O que eu tenho escutado com frequência:

It’s a new dawn

It’s a new day

It’s a new life

For me

And I’m feeling good

– Minha foto favorita de todos os tempos:

LeBron James

– Poema para ler e reler:

paciência.

paciência é
chorar, esperar e saber
que o mundo não vai mudar
da noite para o dia
mas esperar e lembrar
que cada amanhecer
é uma oportunidade
da gente se transformar
com amor e aos poucos
no nosso tempo.

De Rafaela

Catadão da semana #2

Eis alguns pensamentos aleatórios, compilados por mim no meu dia a dia, dicas interessantes (ou não) que achei que valia a pena compartilhar:

. Sou uma fã bem mediana de Madonna, a rainha and camaleoa do pop. Conheço seus hits, mas nunca cheguei a comprar um álbum seu. Porém, sempre acompanhei sua trajetória musical e suas (muitas!) mudanças de estilo.

Inspirada por esse episódio do podcast Um Milkshake Chamado Wanda, resolvi rever alguns clipes antigos da diva no Youtube, como este icônico de True Blue:

. Por falar em música, se essa performance do The Weeknd não te dá calafrios, você não é humano. Esse homem é ótimo! Eu amo sua música, sua arte, sua voz, sua essência, sua vibração, seu andar…

. “NY nunca é chata”. Bastou essa frase para eu querer ver a série documental Faz de conta que NY é uma cidade, da Netflix. Ao longo de sete episódios, a escritora e humorista Fran Lebowitz mostra sua perspectiva ácida sobre temas como política, especulação imobiliária ou o preço de um Picasso.

Ainda não terminei, pois estou intercalando meu tempo com outras duas séries totalmente opostas: Bridgerton (e o Duque, hein?), também da Netflix, e Os Últimos Dias de Gilda, do Canal Brasil.

De perfil, sentada em uma mesa, Fran Lebowitz sorri
Fran Lebowitz em cena da série (Foto: Divulgação/Netflix)

. Li e gostei:

. Fique vivo, fique estranho e plante suas sementes.

. A dor que você sente ao escrever é, na verdade, a dor de esclarecer seu pensamento.

. A vida é um prazer pelo qual vale a pena viver – Contardo Calligaris.

. O conselho que você não quer ouvir geralmente é o conselho de que você precisa.

. “A melhoria é uma batalha que deve ser travada de novo a cada dia.

Seu próximo treino não importa o quão forte foi o último.

Seu próximo ensaio não importa o quão popular o último foi.

Seu próximo investimento não importa o quão inteligente foi o último”.

Seu melhor esforço, novamente. “

. Descobertas musicais:

. Ayo – Down On My Knees

. Lauryn Hill – Guarding The Gates (From Queen & Slim: The Soundtrack)

. Olivia Rodrigo – Drivers License

. H.E.R. – Hard Place

. Perfis no Instagram que comecei a seguir:

@contente.vc

@girlsareawesome

@estudiovideira

. Prints que dei:

. Poema para ler e reler:

Coisas para fazer na barriga da baleia
Dan Albergotti

Meça os muros. Conte as costelas. Assinale os longos dias. Procure o céu azul através do buraco no teto. Faça uma fogueira com o convés quebrado dos barcos de pesca.
·
Pratique sinais de fumaça. Chame velhos amigos, e ouça o eco de vozes distantes. Organize seu calendário. Sonhe com a praia. Olhe para os lados e veja a luz difusa. Escreva seus relatórios. Revise as dez milhões de escolhas na sua vida. Sofra um tanto de auto-repugnância.
·
Encontre evidências dos que estiveram aqui antes. Destrua-as. Tente ficar bem quieto, e ouça o som das engrenagens e da água que se move. Ouça o som de seu coração.
·
Seja grato por estar aqui, engolido com toda a esperança, onde você pode descansar e esperar. Seja nostálgico. Pense em tudo que você fez e poderia ter feito.
·
Lembre-se de cruzar as águas no centro do quieto mar noturno, seus dedos do pés apontando de novo e de novo para baixo, na direção das negras profundezas.

Pode ser uma imagem de 1 pessoa
Foto: Milton H Greene

Catadão da semana #1

Eis alguns pensamentos aleatórios, compilados por mim no meu dia a dia, dicas interessantes (ou não) que achei que valia a pena compartilhar:

. Pega esse timing: Mauricio de Sousa presenteou a primeira vacinada do Brasil, Mônica Calanzans, com um Sansão!

. Reflexão da Happy Science: você se queixa constantemente daquilo que lhe foi dado e daquilo que realmente lhe cabe? Ou sabe ser grato e deseja devolver algo à sociedade mediante os seus atos? Tudo depende do lado que você escolher, dar ou receber.

. Outra reflexão da Happy Science: quanto amor você dá às pessoas e a sociedade? O amor é uma benção, uma energia que nutre os outros. Amar é dar coragem, força e esperança às pessoas que encontramos ao longo da vida.

. Ouvi e gostei: O silencio também é uma resposta.

. A chef Samin Nosrat sobre finais:

“Finais não precisam ser fracassos, especialmente quando você opta por encerrar um projeto ou fechar um negócio …

Mesmo os melhores shows não duram para sempre. Nem deveriam”.

. Trecho do texto Você aguenta ser feliz?, de Nizan Guanaes, publicado na Folha de S.Paulo, em 29/12/20:

“A pessoa luta para alcançar determinados objetivos na vida e, se e quando consegue atingi-los, quer mais e mais. A gente sonha com uma meta e, quando chega lá, começa a sofrer atrás de outra mais distante. Pedimos aos céus o que não temos, em vez de agradecermos o que já temos. E, quando atingimos o que tanto queríamos, aí queremos neuroticamente um novo objetivo. Ou seja, estamos sempre deixando para ser feliz na próxima conquista. Isso pode ser (e é) motivador, mas muitas vezes é enlouquecedor também.

… que você lute para ser as coisas que queira ser, mas não despreze o que é conquistado, o que já é”.

. Frase dita por Bárbara Paz em entrevista ao Uol, na qual narra os últimos dias ao lado de Hector Babenco e conta como transformou a dor da perda em filme:

“… transformar essas dores em arte, em coisas bonitas, ressignificar essa dor em beleza”.

. Li e gostei: Apenas tenha um bom dia. Então repita.

. Pergunte a si: “A coisa mais importante mudou? Estou perseguindo um alvo desatualizado?”.

Foto: Alejandro Contreras / Unsplash

. Perfis no Insta que comecei a seguir:

@analizbuiar

@guacoagency

@observador

. Print que dei:

. Poema para ler e reler:

PROCURA-SE
Sobre coisas que não cabem nos classificados.

Procura-se
Um pedido de Réveillon
Plantado em palmeira de Copacabana
Ano 2011

Procura-se
Vista do chapéu mexicano
Em parque de renomada capital
Somente período da tarde

Procura-se
O duque de Hastings
Para sorvete de colher
Local público

Procura-se
A voz do amigo Thiago Pethit
Dizendo ai, Vi-vian
Pago recompensa

Procura-se
O que só pode vir
Se eu não souber o que esperar
Urgente

Procura-se
Pessoa para ouvir Horses
E a decolagem do som sobre terra e mar
Aceita-se grupos

Procura-se
Você e
Seu nome
Tratar somente comigo

Procura-se
Pessoa decidida
A subir o Everest
Detalhes sigilosos

Procura-se
Uma cidade
Com dicionário público
Inscrições abertas

Procura-se
Neon Cunha
Para abraço, papo demorado e bate-cabelo
Evento internacional

Procura-se
Chão
Para pisar descalça
Sol de terra é um diferencial

Procura-se
Canto de praia silencioso
pra visitar minha mãe
Favor consultar o calendário lunar

Procura-se
Defensores de causas perdidas
E missões impossíveis
Com ou sem experiência

Procura-se
Projeto de infância desvampiresco
Para fazer crescer crianças
Adultos doentes

Procura-se
Um país
Embaixo da montanha de corpos
Início imediato

Contatos, relatos e outras informações, favor procurar

Um beijo,

V.

Vivian Whiteman, jornalista e psicanalista, é editora especial da ELLE e escreve sobre moda, sociedade e comportamento.

“A coisa é” – de Ellen Bass

amar a vida, amá-la mesmo
quando você não tem estômago para ela
e tudo que você segurou, querido, se
desintegra como papel queimado em suas mãos,
sua garganta se enche de lodo.

quando a dor se apoia em você, seu calor tropical
engrossa o ar, pesado como a água,
mais adequada para guelras do que para pulmões;
quando a dor pesa sobre você como a sua própria carne,
apenas mais dela, uma obesidade da dor,
você pensa: como um corpo pode suportar isso?

então você segura a vida como um rosto
entre as palmas das mãos, um rosto simples,
sem sorriso encantador, sem olhos violetas,
e diz, sim, eu vou te levar,
vou te amar, de novo.

Reúnam-se, pessoas, onde quer que estejam, e admitam que as águas ao seu redor estão subindo, e aceitem que logo vocês estarão encharcadas até os ossos. Se seu tempo ainda tem valor, então é melhor que comecem a nadar ou afundarão como pedras, porque os tempos estão mudando”.

Bob Dylan, na música mais simbólica em tempos de mudanças: The Times They Are A-Changin’

De onde vem?

De onde vem essa raiva, essa tristeza, essas lágrimas?

De onde vem essa revolta, esse mau humor?

De onde vem essa cara fechada, essa nuvem negra pairando sobre sua cabeça?

De onde vem essa fadiga, essa falta de vontade, de foco, de ânimo?

De onde vem essa insatisfação, essa infelicidade, essas frustrações?

De onde vem essa ansiedade, esse vazio, essa solidão?

De onde vem essa montanha russa de emoções?

De onde vem esses pensamentos ruins, essa crise, essas feridas?

De onde vem essa confusão que cisma em me ocupar igual erva daninha?

Medo!

(um medo que, às vezes, se torna maior do que de fato é)

Decepção!

Impotência!

De algum lugar vem!

De onde vem toda a angústia?

Por que tudo mudou? Por que o céu ficou cinza? Por que o rosto ficou feio?

Por que a voz se calou?

Por que o sorriso se fechou?

(há momentos em que a melhor companhia são as palavras, as únicas capazes de compreender o rebuliço de uma mente alvoroçada – Paola Barbosa)

Quando estamos mal é difícil organizar as ideias.

Primeiro porque nossa percepção está afetada por essa tristeza que faz com que tudo pareça horrível, sem esperança.

Aquele choro que você sabe que não é seu, é uma coisa de catarse.

O medo pra mim é um companheiro incansável. Está sempre ao meu lado como uma sombra a sussurrar diariamente que eu não vou conseguir. CRIS GUTERRES

Não é fácil transitar pelas nossas próprias mentes.

Tem coisa que só sai da gente por escrito.

A escrita tem essa capacidade bonita de jogar luz para dentro. De percorrer lugares estreitos dentro da gente, de levantar o tapete e tirar a sujeira que guardamos ali embaixo. (Ana Holanda).

Diálogo do céu

– Olá, querido. Muito prazer, sou Flávia Fernandes, amiga da Renatinha.

– E aê!!!

– Faz poucas semanas que cheguei aqui, mas fui super bem-recebida por todos. Estou literalmente nas nuvens, mesmo usando salto alto!

– Que bom! Super estilosa, hein! E como está a Perre, Jundy?

– A Perre rs uma querida, né? Jundy está meio caos… O país todo… O mundo! Corona, explosão e aquele presidente lixo!

– Nossa, tô ligado! Só não tá ruim o meu Parmera!

– Hahahaha. Meu interesse por futebol é ZERO, eu gosto mesmo é de falar sobre decoração, filmes com Mazzaropi e comida, né?

– Pode crer! Casinha no Mato?

– Exato! Meu refúgio! Ô lugar gostoso para procrastinar, viu! Saudades de estar lá com eles…

– Mas você está…

– Eu sei, Gripe!

(Foto: Andreas Weiland – Unsplash)

Dizer não é dizer sim

(saber o que é bom pra mim)

Eu adorava essa música do Kid Abelha, quando criança, mas não a entedia direito. Como assim, dizer NÃO é dizer SIM?

Pois é, quando cresci, eu entendi à minha maneira.

(dar um não ao que é ruim)

Dizer NÃO aos outros é – muitas vezes – dizer SIM para mim.

(é mostrar o meu limite)

Quando não estou de acordo com o que você está dizendo, estou sim de acordo com as minhas vontades e preferências.

(não é preciso ficar inseguro)

Não adianta você vir me dizer que acha isso e aquilo, pois quem sabe das minhas escolhas sou eu. Eu sei o que é melhor pra mim, eu sei o que me faz bem. Eu escolho o quero consumir ou não, então, não me venha com esse papo de na minha opinião, pois eu não pedi a p* da sua opinião.

(não é possível concordar em tudo)

Se nesse sofá não posso ser eu mesma, prefiro nem sentar. Se nessa relação não posso ser eu, prefiro nem estar.

Eu quero mais é me reinventar e me encontrar a cada dia sem tantas interrupções alheias.

Eu quero é mais é buscar a minha melhor versão sem que fiquem me dizendo o que fazer constantemente.

Se conter eu, a minha bagagem e minhas espontaneidade conte comigo, mas se não couber, nem precisa me chamar.

Acordou pra si mesma,

Não quer mais ninguém roubando seu tempo.

Decidiu cuidar de si.

não quer mais viver em torno de outras pessoas.

Já não quer mais saber do dia a dia de ninguém.

A decisão é sempre a parte mais difícil da vida. Você sempre ganha e perde.

Escolher ir, ficar, viajar, se entregar, recuar, pensar mais um pouco…

Escolher é preciso. Ninguém é feliz vivendo em cima de um muro (Edgard Abbehusen).

Dizer SIM para todas as tarefas não trará mais sucesso. Pelo contrário, afirma o escritor e dramaturgo Walcyr Carrasco. A incapacidade de contrariar chefes , clientes, colegas e funcionários fará com que você se esgote de tanto trabalhar e faça entregas com menos qualidade.

NÃO é uma palavra difícil de dizer e de escutar, mas é essencial para sobreviver ao ritmo acelerado do mercado de trabalho:

“Quanto mais temos dificuldade em negar, mas algumas pessoas nos demandam (…) E isso vai sufocando, até que um dia a gente adoece (…), laços se estremecem e prejuízos no trabalho acontecem”.

(Foto: Jason Rosewell – Unsplash)

As pessoas precisam parar de se acostumar com situações que não fazem bem. Para isso, é importante buscar autoconhecimento e amor-próprio.

Abrir mão faz parte.

Você não pode dizer sim para tudo.

Você sabe que precisa recusar pessoas, oportunidades e solicitações que não são o melhor uso de seu tempo.

Mas é difícil fazer isso.

Você não quer decepcionar as pessoas, parecer um idiota ou dizer não a algo que pode levar a algo grande.

Words are Windows (Or They’re Walls), a poem by Ruth Bebermeyer

I feel so sentenced by your words
I feel so judged and sent away
Before I go I got to know
Is that what you mean to say?

Before I rise to my defense,
Before I speak in hurt or fear,
Before I build that wall of words,
Tell me, did I really hear?

Words are windows, or they’re walls,
They sentence us, or set us free.
When I speak and when I hear,
Let the love light shine through me.

There are things I need to say,
Things that mean so much to me,
If my words don’t make me clear,
Will you help me to be free?

If I seemed to put you down,
If you felt I didn’t care,
Try to listen through my words
To the feelings that we share.

Muitas vezes deixamos de respeitar a nós mesmos em detrimento do outro e faltamos ao encontro com a gente.

Levei muito tempo para aprender a dizer não. E, hoje, mais madura, vejo como isso ainda é desafiador. Sofro, procrastino, não durmo. Fico pensando em como dizer aquela tão necessária palavrinha.

Calma, sabedoria e sobretudo coragem para dizer não.

O sucesso das nossas escolhas se deve mais aos nãos que dissemos do que aos sins.

A question for making good life choices: “Will this enlarge me or diminish me?” – Austin Kleon