“A coisa é” – de Ellen Bass

amar a vida, amá-la mesmo
quando você não tem estômago para ela
e tudo que você segurou, querido, se
desintegra como papel queimado em suas mãos,
sua garganta se enche de lodo.

quando a dor se apoia em você, seu calor tropical
engrossa o ar, pesado como a água,
mais adequada para guelras do que para pulmões;
quando a dor pesa sobre você como a sua própria carne,
apenas mais dela, uma obesidade da dor,
você pensa: como um corpo pode suportar isso?

então você segura a vida como um rosto
entre as palmas das mãos, um rosto simples,
sem sorriso encantador, sem olhos violetas,
e diz, sim, eu vou te levar,
vou te amar, de novo.

Reúnam-se, pessoas, onde quer que estejam, e admitam que as águas ao seu redor estão subindo, e aceitem que logo vocês estarão encharcadas até os ossos. Se seu tempo ainda tem valor, então é melhor que comecem a nadar ou afundarão como pedras, porque os tempos estão mudando”.

Bob Dylan, na música mais simbólica em tempos de mudanças: The Times They Are A-Changin’