De onde vem?

De onde vem essa raiva, essa tristeza, essas lágrimas?

De onde vem essa revolta, esse mal humor?

De onde vem essa cara fechada, essa nuvem negra pairando sobre sua cabeça?

De onde vem essa falta de vontade, falta de foco, falta de ânimo?

De onde vem essa insatisfação, essa infelicidade, essas frustrações?

De onde vem essa ansiedade, esse vazio, essa solidão?

De onde vem essa montanha russa de emoções?

De onde vem esses pensamentos ruins, essa crise, essas feridas?

De algum lugar vem!

De onde vem toda a angústia?

Por que tudo mudou? Por que o céu ficou cinza? Por que o rosto ficou feio?

Por que a voz se calou?

Por que o sorriso se fechou?

(há momentos em que a melhor companhia são as palavras, as únicas capazes de compreender o rebuliço de uma mente alvoroçada – Paola Barbosa)

Quando estamos mal é difícil organizar as ideias.

Primeiro porque nossa percepção está afetada por essa tristeza que faz com que tudo pareça horrível, sem esperança.

Aquele choro que você sabe que não é seu, é uma coisa de catarse.

O medo pra mim é um companheiro incansável. Está sempre ao meu lado como uma sombra a sussurrar diariamente que eu não vou conseguir. CRIS GUTERRES

Não é fácil transitar pelas nossas próprias mentes.

Tem coisa que só sai da gente por escrito.

A escrita tem essa capacidade bonita de jogar luz para dentro. De percorrer lugares estreitos dentro da gente, de levantar o tapete e tirar a sujeira que guardamos ali embaixo. (Ana Holanda).

Diálogo do céu

– Olá, querido. Muito prazer, sou Flávia Fernandes, amiga da Renatinha.

– E aê!!!

– Faz poucas semanas que cheguei aqui, mas fui super bem-recebida por todos. Estou literalmente nas nuvens, mesmo usando salto alto!

– Que bom! Super estilosa, hein! E como está a Perre, Jundy?

– A Perre rs uma querida, né? Jundy está meio caos… O país todo… O mundo! Corona, explosão e aquele presidente lixo!

– Nossa, tô ligado! Só não tá ruim o meu Parmera!

– Hahahaha. Meu interesse por futebol é ZERO, eu gosto mesmo é de falar sobre decoração, filmes com Mazzaropi e comida, né?

– Pode crer! Casinha no Mato?

– Exato! Meu refúgio! Ô lugar gostoso para procrastinar, viu! Saudades de estar lá com eles…

– Mas você está…

– Eu sei, Gripe!

(Foto: Andreas Weiland – Unsplash)

Dizer não é dizer sim

(saber o que é bom pra mim)

Eu adorava essa música do Kid Abelha, quando criança, mas não a entedia direito. Como assim, dizer NÃO é dizer SIM?

Pois é, quando cresci, eu entendi à minha maneira.

(dar um não ao que é ruim)

Dizer NÃO aos outros é – muitas vezes – dizer SIM para mim.

(é mostrar o meu limite)

Quando não estou de acordo com o que você está dizendo, estou sim de acordo com as minhas vontades e preferências.

(não é preciso ficar inseguro)

Não adianta você vir me dizer que acha isso e aquilo, pois quem sabe das minhas escolhas sou eu. Eu sei o que é melhor pra mim, eu sei o que me faz bem. Eu escolho o quero consumir ou não, então, não me venha com esse papo de na minha opinião, pois eu não pedi a p* da sua opinião.

(não é possível concordar em tudo)

Se nesse sofá não posso ser eu mesma, prefiro nem sentar. Se nessa relação não posso ser eu, prefiro nem estar.

Eu quero mais é me reinventar e me encontrar a cada dia sem tantas interrupções alheias.

Eu quero é mais é buscar a minha melhor versão sem que fiquem me dizendo o que fazer constantemente.

Se conter eu, a minha bagagem e minhas espontaneidade conte comigo, mas se não couber, nem precisa me chamar.

Acordou pra si mesma,

Não quer mais ninguém roubando seu tempo.

Decidiu cuidar de si.

não quer mais viver em torno de outras pessoas.

Já não quer mais saber do dia a dia de ninguém.

A decisão é sempre a parte mais difícil da vida. Você sempre ganha e perde.

Escolher ir, ficar, viajar, se entregar, recuar, pensar mais um pouco…

Escolher é preciso. Ninguém é feliz vivendo em cima de um muro (Edgard Abbehusen).

Dizer SIM para todas as tarefas não trará mais sucesso. Pelo contrário, afirma o escritor e dramaturgo Walcyr Carrasco. A incapacidade de contrariar chefes , clientes, colegas e funcionários fará com que você se esgote de tanto trabalhar e faça entregas com menos qualidade.

NÃO é uma palavra difícil de dizer e de escutar, mas é essencial para sobreviver ao ritmo acelerado do mercado de trabalho:

“Quanto mais temos dificuldade em negar, mas algumas pessoas nos demandam (…) E isso vai sufocando, até que um dia a gente adoece (…), laços se estremecem e prejuízos no trabalho acontecem”.

(Foto: Jason Rosewell – Unsplash)

As pessoas precisam parar de se acostumar com situações que não fazem bem. Para isso, é importante buscar autoconhecimento e amor-próprio.

Abrir mão faz parte.

Você não pode dizer sim para tudo.

Você sabe que precisa recusar pessoas, oportunidades e solicitações que não são o melhor uso de seu tempo.

Mas é difícil fazer isso.

Você não quer decepcionar as pessoas, parecer um idiota ou dizer não a algo que pode levar a algo grande.

Words are Windows (Or They’re Walls), a poem by Ruth Bebermeyer

I feel so sentenced by your words
I feel so judged and sent away
Before I go I got to know
Is that what you mean to say?

Before I rise to my defense,
Before I speak in hurt or fear,
Before I build that wall of words,
Tell me, did I really hear?

Words are windows, or they’re walls,
They sentence us, or set us free.
When I speak and when I hear,
Let the love light shine through me.

There are things I need to say,
Things that mean so much to me,
If my words don’t make me clear,
Will you help me to be free?

If I seemed to put you down,
If you felt I didn’t care,
Try to listen through my words
To the feelings that we share.

Muitas vezes deixamos de respeitar a nós mesmos em detrimento do outro e faltamos ao encontro com a gente.

Levei muito tempo para aprender a dizer não. E, hoje, mais madura, vejo como isso ainda é desafiador. Sofro, procrastino, não durmo. Fico pensando em como dizer aquela tão necessária palavrinha.

Calma, sabedoria e sobretudo coragem para dizer não.

O sucesso das nossas escolhas se deve mais aos nãos que dissemos do que aos sins.

A question for making good life choices: “Will this enlarge me or diminish me?” – Austin Kleon