Oi, Renata

Os homens sempre vão para a cama sonhando com Gilda (do filme) e se decepcionam ao acordar ao lado de Rita”. – Rita Hayworth.

É difícil ser você. É fácil ser você. Depende do dia, do jeito que acordou, do pensamento que brotou na sua mente logo nos primeiros instantes em que abriu os olhos.

Nos dias bons, sou apaixonada por você. Adoro o seu sorriso. Sei que a batalha para tê-lo do jeitinho que você o quer tem sido longa. Aparelhos, clareamento, dinheiro.

Adoro a sua voz, as suas ideias, as suas histórias, as suas cantorias.

Gosto do seu bom-humor. Você é cativante. Carismática. É bom ter você por perto, na roda. É bom ser você.

No dias ruins, eu sei, é difícil ser você. Seus pensamentos te sabotam a todo momento e te levam a um lugar escuro, sem paz, sem amor e sem música. É difícil para nós domá-los. Às vezes temos que apelar para um comprimidinho só para a tortura ter um fim. Só que ela nunca tem fim.

É delicioso ser você. É delicioso ter seu estilo, seu corpo, seus cuidados, suas opiniões, suas escolhas. Aprovo todas elas.

É tenso ser você. Você avacalha, você faz coisas erradas, você não tem juízo! Tudo bem, eu te perdoo, mas será você que não vai aprender nunca, Renata? Quantas vezes eu já te disse que carboidrato à noite não é legal, que ficar stalkeando perfis de instagram não te faz bem, que não se deve ler bula de remédio nem procurar no google efeitos colaterais.

Diga-me, por que você foi gastar R$ 200 e alguns num pijama? Agora, eu tenho que vestir camiseta velha pra dormir porque a senhorita fica com dó de usar a iguaria.

Que orgulho tenho de você! Foram tantos desmaios, tantos choros, tantas lamentações, tantas dores, tantas rezas e você continua de pé. Parabéns pela sua trajetória, garota!

Continue assim, um dia de cada vez e você chega lá!

Agora, chega! Chega de continuar assim, né, Renata?

Levante-se dessa cadeira e vá correr atrás dos seus sonhos, garota!

Estamos entendidas?

Assinado, Renata.

Take Me as I Am, Whoever I Am

In love there’s no hiding: You have to let someone know who you are.

I would have cried from the sheer monotony of it, but tears were too much effort.

I had met the enemy enough times to know it by sight.

“Who are you?” the questionnaire asks at the start.

I want to be honest, but I don’t know how to answer. Who am I now? Or who was I then?

(continue vivendo com dor, alegria, amor, memórias)

Metade – Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.

Quer as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo.

Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço.

Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é plateia
a outra metade é canção.

Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também
.

Nem todas as nossas neuras Freud explica.

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