Mundo adulto

Foto: Unplash

“Mas você não acha que já está grandinha para morar com seus pais?”, me perguntaram.

Pois é. Às vezes essa síndrome de Peter Pan nos invade, e a vontade de ficar debaixo das asas dos pais é quase irresistível.

Mas o desconforto, que pode ser um sinal de crescimento, apareceu.

O mundo adulto bateu à minha porta e eu o ignorei o quanto pude.

Não posso mais continuar fugindo e/ou me escondendo dele.

Chegou a hora de tomar decisões adultas, maduras.

Chegou a hora de sair/mudar de casa.

Chegou a hora de crescer. Abandonar os pais.

Por quê? Pra quê? Porque chegou a hora. Simples.

Chegou a hora de cortar o cordão.

Chegou a hora de aprender a fazer arroz.

Chegou a hora de comprar o remédio certo.

Chegou a hora de dormir sem medo.

Chegou a hora de parar de ser mimada, cuidada.

Chegou a hora de ter o meu cantinho.

Como é importante ter um cantinho e preenchê-lo com os nossos amores e os nossos amigos, lembrando que são os lugares que passam e as pessoas que ficam, e não o contrário.

Até pouco tempo atrás, o lar era um espaço entre quatro paredes, onde eu mantinha meus objetos e guardava minhas coisas, as memórias, aquilo de que gosto. Mas me parece que, nessa lógica de desmaterializar e desterritorializar, o lar se torna um sentimento, é algo que carrego comigo. Estamos construindo territórios mais simbólicos, criados pela tecnologia.

Autonomia

Sozinha, Cheryl Strayed quis seguir um caminho — no sentido mais literal do termo — para mostrar a si mesma que podia, sim, ser dona do seu próprio nariz, sem depender de nada ou de ninguém para fazer o que quer que fosse. Nem mesmo enfrentar uma trilha inóspita, emocional e fisicamente desgastante por três meses.

A autonomia é um conceito que está ligado à liberdade de alguém em gerir livremente a própria vida, fazendo racionalmente suas escolhas: do grego, auto significa “de si mesmo”, enquanto nomia quer dizer “lei”. A autonomia nos permite criar nossas normas, se libertar em definitivo da dependência que temos dos nossos pais, cortar o cordão umbilical. Mas nem sempre é conquistada com a alegria de uma medalha em uma maratona. Ela traz consigo as dores do crescimento. Porque crescer é mesmo difícil: ser responsável por suas ações, assumir seus atos e dar a cara a bater pelas suas decisões não é tarefa simples.

É algo que devemos desenvolver por anos e que culmina com a chegada da vida adulta — mas que para alguns só chega aos 30, 40 anos. Nem sempre toda essa independência precisa se constituir de maneira brusca e forçada, como no caso de Cheryl. Mas, assim como a autora, também estamos passando, como sociedade, por um momento de grande dificuldade para conquistar essa independência.

Responsabilidades demandam sacrifícios.

Junto com o amadurecimento vem a paz do autoconhecimento.

Desapegue – Por Zack Magiezi

Desapegar.

Não é deixar ir.

Não é abrir as mãos.

Não é dar liberdade.

Para um passado, um sentimento, uma história.

Desapegar é deixar as coisas no lugar delas.

E aceitar o convite do Tempo.

Para seguir em frente.

Photo by Marc Kleen on Unsplash

Soltar as rédeas, deixar a vida tomar a frente, pode ser muito bom mesmo. É saber tirar o esparadrapo do apego emocional com sabedoria. Dessa forma, ele se desprende sozinho, sem dor. Todo o sofrimento oferece-nos de bandeja uma maneira mais saudável de ser e de nos relacionar com o mundo. Aceite esse precioso produto.

A vida não é carrasca. Ela é sábia, generosa e criativa. Quando chegam essas experiências tristes, é porque temos de aprender algo com elas.

Sofrimento

Contardo Calligaris diz que é preciso sentir plenamente as dores: das perdas, do luto, do fracasso.

“Eu acho um tremendo desastre esse ideal de felicidade que tenta nos poupar de tudo o que é ruim”.

“Somente a experiência de nossa própria escuridão nos dá a luz de que precisamos para ajudar os outros cuja jornada para os pontos escuros da vida está apenas começando”, escreveu a monja beneditina Joan Chttister no livro Between the Dark and the Daylight.

“É nesse momento que o pouco que experienciamos da escuridão nos qualifica para sermos algo capaz de iluminar a expedição humana. Sem isso, somos apenas palavras, apenas falsas testemunhas da verdade do que significa ser esmagado no chão e levantar-se outra vez”, diz ela.

O sofrimento que você passa não deve ficar restrito a você. Transformado, ele apenas fundamenta uma experiência que poderá servir para fortalecer outras pessoas. É isso. O sofrimento é só uma pequena parte. O florescimento dele na sua vida é o que mais importa.

O sonho da rotina corrida

Photo by Saffu on Unsplash

Cresci achando que era lindo ser ocupada.

Mesmo exausta, eu acreditava que havia uma beleza em viver na quinta marcha: era a forma mais fácil de me sentir importante – ou, pelo menos, o caminho mais curto para parecer importante aos outros. A rotina corrida era um jeito de alimentar meu ego, de me mostrar necessária, insubstituível.

Toda a minha vida, eu havia definido o meu valor pessoal apenas a partir da minha capacidade de ser produtiva. A forma como eu media o sucesso era pela quantidade de problemas que eu conseguia resolver.

“Entre o tédio e a ansiedade que afloraram em mim ao morar em uma sala de espera de hospital durante sete dias, aprendi uma lição: nosso verdadeiro valor e nossa maior força não estão na agilidade em que resolvemos pendências, mas em quanto estamos dispostos a redesenhar a nossa vida quando uma nova realidade se apresenta, exigindo que nos reinventemos – no meu caso, precisei descobrir uma versão de mim mesma mais leve, capaz de enxergar momentos de pausa sem medo nem culpa, com atenção plena e gratidão”, escreveu Rafaela Carvalho, colaboradora da revista Sorria (idealizada e produzida pela Editora Mol, a revista é comercializada na Droga Raia) .

Uma boa vida ativa deveria envolver sucesso comercial, um amplo círculo de amigos, viagens frequentes ao exterior, muitas idas a várias cidades, conhecimento das principais ideias em arte e tecnologia, noção de moda, ter assistido várias séries recentes e malhar intensamente, pelo menos, duas vezes por semana.

Sempre pareceu estranho defender outra coisa, o que se poderia chamar de vida tranquila, aquela vivida fora de um centro urbano caro, na qual se trabalha para satisfazer necessidades materiais e curiosidade intelectual. Porém, sem o frenesi ou o anseio emocional em que de vez em quanto se pode ver as notícias, raramente viajar para muito longe, quase nunca sair à noite, manter contato com poucos amigos, passar muito tempo na natureza, exercitar-se ao sair para caminhar, ter uma alimentação simples, raramente comprar algo caro, ignorar a maioria dos livros novos e sempre tentar ir dormir às 10 da noite.

Sobre lentidão

Lento não é sinônimo de menos efetivo ou menos produtivo. Ir mais devagar não significa não fazer as coisas, nem declarar guerra à modernidade ou à tecnologia. Viver devagar é viver em equilíbrio, ficar em silêncio, planejar, observar, refletir, cuidar de si e dos outros.

Sobre caminhar

Entendo o ato de caminhar como um deleite. Quando caminho (dia sim, dia não), me conecto com o meu interior, relaxo.

A caminhada é o momento em que faço pensatas nonsense. Desopilar é preciso.

Sobre meditação

Meditação mindfulness consiste em prestar atenção ao que acontece no momento. A meditação me faz lembrar de respirar. Quando me sinto ansiosa, para por um momento e respiro, criando um instante calmo para a mente e para o corpo.

Detox digital

Não me culpo por não dar conta de todas as notícias. Tento ficar mais off-line e aproveitar esse tempo ganho para interagir com a família, ler, estudar, pensar, meditar, cuidar da casa, entre outras atividades.

Desconecte-se um pouco da internet e conecte-se mais às pessoas e a si mesmo .

Cuide das relações afetivas

Na sua escala de prioridades precisam estar as pessoas mais importantes da sua vida. Quando buscamos valorizar as relações humana e a convivência com família e amigos, tendemos a pensar mais no bem-estar e contemplar, conversar, trocar afeto, cuidar, brincar, desfrutar, praticar a escuta atenta.

Isso nada mais é do que desacelerar.

Quem são as pessoas mais importantes na sua vida hoje? Não deixe que a desculpa de “não ter tempo” tire de você o convívio com quem mais ama.

Respeitar o nosso tempo é um ato de amorosa coragem.

A pressão que sentimos para sermos produtivos com frequência é o resultado da ansiedade. Estamos tentando nos distrair de nossas preocupações não cuidadas. A ociosidade pode ser útil. Ela nos dá espaço para explorar e acalmar nossa mente preocupada.

“O amor pela agitação contínua numa vida tumultuada não é atividade saudável, mas inquietação de uma mente assombrada”. Sêneca

Uma sala tranquila no meio da tarde, quando não temos nada urgente a fazer até o jantar, ninguém para ver e nenhuma mensagem para responder, poderia ser um dos lugares mais produtivos para se estar. Reconheceríamos o valor profundo de passar horas olhando pela janela.

Devanear é uma rebelião estratégica contra as demandas excessivas de pressões imediatas (mas essencialmente insignificantes) – a favor da elaboração de planos mais substanciais.

Quando estamos ocupados com rotinas e administração, estamos focados nos elementos que predominam em nossa mente: estamos executando planos em vez de refletir sobre seu valor, propósito essencial e focar no que realmente importa.

“Every time we make a thing, it’s a tiny triumph”.

Carl Honoré, líder do slow movement no mundo, é autor de “Devagar – Como um movimento mundial está desafiando o culto da velocidade” e é também palestrante de um TED com mais de 2 milhões de visualizações.⠀

“No passado, cada momento do meu dia era uma corrida contra o relógio. Agora quase nunca me sinto apressado. Faço menos coisas, mas faço-as melhor e gosto mais delas. Eu faço pausas durante o dia de trabalho para relaxar, comer e fazer um pouco de meditação. Isso me fez muito mais produtivo e criativo”, disse.

“Agora tenho tempo para aqueles momentos que dão significado e textura à vida – lendo uma história de repouso para os meus filhos, desfrutando de um copo de vinho com a minha mulher à noite, conversando com um vizinho, parando e olhando para um belo edifício ou pôr do sol. Eu sinto que estou vivendo minha vida agora, em vez de correr por ela. Para conseguir isso eu tenho que ser disciplinado e ter limites. Então, quando estou trabalhando, estou trabalhando. Quando eu não estou, eu desligo completamente, incluindo celular e laptop”.

Combo do dia #09 – Autoconhecimento

Um texto + uma música + um prato

Autoconhecimento

Quando temos uma consciência mais profunda sobre quem somos, o que queremos e para aonde estamos indo, tudo tende a fluir melhor.

*** você se conhece, você se respeita, você ganha confiança em si mesma, você se empodera *** 

Autoconhecimento é indispensável para o profissional do século 21.

De acordo com o relatório mais recente do Fórum Econômico Mundial sobre o futuro, aptidões como criatividade, colaboração, flexibilidade, pensamento crítico, capacidade de trabalhar sob pressão e resolver problemas complexos serão obrigatórias para evoluir na carreira daqui para a frente.

E o autoconhecimento é o ponto de partida para o desenvolvimento dessas soft skillls, como são chamadas as habilidades comportamentais.

As transformações pelas quais o mundo do trabalho vem passando e as demandas das novas gerações de profissionais – trabalho remoto, freelancer e sem carga horária fixa, por exemplo – cada vez mais vão exigir boa capacidade de gestão de si próprio.

Conhecer a si mesmo é uma investigação que tem início, mas nunca acaba.

A única pessoa que vai estar conosco a vida inteira somos nós, e desde cedo procuramos nos afastar de nós mesmos.

Somos os únicos responsáveis pela nossa própria alegria de viver. Sofia Esteves, presidente do conselho do Grupo Cia de Talentos, afirma que precisamos parar de esperar que o mundo nos agrade, porque só assim podemos preservar nossa positividade:

“Ninguém pode ser dono da minha alegria. Ela me pertence e não importa se alguém foi rude ou me decepcionou. Eu sou a única responsável por me manter alerta e positiva”.

“Dirige teu olhar para dentro de ti/ E mil razões encontrará ali/ Ainda ignotas. Percorre tal via/ E mestre serás em tua cosmografia”, filosofou o poeta Thoreau.

Quando nos conhecemos melhor, temos mais capacidade para entender nossos próprios sentimentos e comportamento. Também nos tornamos mais aptos a reconhecer a forma como os outros nos veem. Isso nos permite lidar com situações difíceis, mudar nossos hábitos e evoluir.

Sobre criatividade e bem-estar

Podem inventar as mais mirabolantes formas de anabolizar a criatividade, mas nenhuma será mais eficiente do que o bem-estar. Pelo menos para a redatora de conteúdo Rafaela Kich, para quem produzir bem depende de um fator imutável: sentir-se bem.

“Uma vez que você entende que o seu cérebro e o seu corpo são seus principais instrumentos para fazer qualquer coisa (…) fica mais fácil perceber que cuidar de você mesmo é a melhor estratégia para ser produtivo”.

Música:

Lights Up (Harry Styles)

All the lights couldn’t put out the dark

Running through my heart

Lights up and they know who you are

Know who you are

Do you know who you are?

E o prato do dia foi:

  • Camarão na AirFryer

Combo do dia #07 – Procrastinação

Um texto + uma música + um prato

Meu sobrenome é procrastinação

Photo by Kate Stone Matheson on Unsplash

Palavra comprida e cheia de pompa, mas que carrega desdobramentos tão profundos na nossa vida.

Movimento gera movimento. Deixar o corpo parado faz mal à saúde.

Eu tenho preguiça. Eu tenho preguiça de tudo. Até quando estou a fazer nada, eu tenho preguiça.

Descobri que, para combater a preguiça, precisamos agir. Simples assim. Tá com preguiça de ir? VÁ! Tá com preguiça de fazer? FAÇA!

Tá com preguiça de ler? LEIA. Tá com preguiça de escrever? ESCREVA! Tá com preguiça de trabalhar? TRABALHE!

O hábito de “transferir para outro dia” entra num círculo vicioso, do qual é difícil se libertar. Portanto, a procrastinação constante não está ligada à má gestão do tempo – ela nada mais é do que uma estratégia do cérebro para lidar com as emoções negativas. Sendo assim, é preciso aceitar o problema e entender o que está por trás dele para começar a superá-lo.

Depressão, outra mola propulsora do adiamento ou do atraso frequentes. Quem apresenta essa condição sofre com pensamentos negativos, sensação de inutilidade e sentimento de culpa. Qualquer tarefa se torna incômoda ou complicada. O depressivo não tem vontade nem energia para agir.

A escritora Ruth Manus ressalta: “Todos se sentem absolutamente devedores de si mesmos. Entramos numa lógica cruel que funciona mais ou menos assim: praticamente não importa o que a gente fez de bom, só importa aquilo que ficou faltando. Tudo o que ficou faltando grita dentro da nossa cabeça como se estivesse escrito em caixa-alta”.

“O que me parece necessário é pararmos de sentir tanta culpa. Não somos máquinas e nunca funcionaremos com perfeição”.

Linn Ullmann, in an interview with Vogue, on her father Ingmar Bergman:

My father was a very disciplined and punctual man; it was a prerequisite for his creativity. There was a time for everything: for work, for talk, for solitude, for rest. No matter what time you get out of bed, go for a walk and then work, he’d say, because the demons hate it when you get out of bed, demons hate fresh air. So when I make up excuses not to work, I hear his voice in my head: Get up, get out, go to your work.

Get up, get out, go to your work.

Música:

E o prato do dia foi…

  • Legumes recheados

Combo do dia #06 – Mindfulness

Um texto + uma música + um prato

Cozinhar me dá mindfulness

Photo by Alyson McPhee on Unsplash

“E se nesse momento específico em que você está cortando a cebola, não pensar em mais nada, só em cortar a cebola?”.

Esse é um dos princípios do mindfulness (foco total no que está fazendo). Se você conseguir fazer isso, já quer dizer que está cuidando um pouquinho de si.

Mindfulness é um “treinamento da mente”, que envolve desenvolver e cultivar a atenção plena. Podemos dizer que é a “musculação da atenção”. Além disso, podemos dizer que a atenção plena envolve mais do que apenas treinar a atenção, e incluir também o desenvolvimento do que chamamos “atitude mindful” ou “olhar do principiante”. O “olhar do principiante” seria o contrário de prejulgar ou emitir juízo prévio de valor sobre as coisas, por exemplo, bom/ruim, gosto/não gosto.

Concentre-se no agora

Quando estamos tristes ou nos sentindo solitários, é comum levarmos os pensamentos para o passado ou para o futuro, sem prestarmos atenção no agora. Ter atenção no momento presente é uma ferramenta poderosa para quebrar os sentimentos negativos. Quando você presta atenção no que está fazendo, no lugar onde está, no seu redor, seu foco muda e seu humor também.

Uma pilha de louça suja na pia, por Dilson Branco

Mas o fato é que eu estava lá, mais uma vez, esfregando a esponja ensaboada nos pratos oleosos, e era inegável: sentia algo que podia muito bem ser chamado de satisfação. Entre enxágues e enxugos, fui filosofando sobre o porquê daquela minieuforia.

Um amontoado engordurado sobre a cuba traz uma certeza urgente: aquilo precisa ser resolvido. Adeus dúvidas, ansiedade, preocupação. Eis a coisa certa para já!

À beira da pia, sabemos exatamente como proceder. Não existem mistérios a ser desvendados, não há espaço para o imponderável, não tem erro. O embate entre o detergente e a sujeira sempre rende final feliz. Talvez seja preciso armar-se com uma esponja de aço. Às vezes, há baixas, uma taça que tomba. Mas, entre as tantas incertezas da vida, lavar louça é um refúgio garantido – vai dar certo.

Rumo ao destino glorioso, você pode seguir como for mais confortável: em silêncio, deixando o pensamento vagar; praticando uma espécie de meditação.

Os resíduos vão descendo pelo ralo, os utensílios vão para seus devidos lugares e parece que, dentro da gente, as peças também se purificam, se organizam. Não desvendamos os mistérios das galáxias, não foi um salto gigantesco para a humanidade, apenas um pequeno passo para um homem – um herói que soube se divertir com as pequenas incumbências de uma vida comum.

Caráter é alguma coisa que brota no silêncio de quem lava louça todo dia.

Viva a Camila Fremder!

Só agora, durante a quarenta, que quem arrasa na louça suja finalmente está sendo valorizado. É louça o dia inteiro! E eu tô lá, bolando a técnica pra desperdiçar a menor quantidade de água possível, sem quebrar um copo ou lascar um prato, limpando o ralinho depois, evitando que a pia entupa com restos de comida e dando aquele toque final com o rodinho de pia.

Sim, lavar louça é uma arte, respeite.

Música

E o prato do dia foi…

  • Saladona

Parabéns para mim

Fazer aniversário também é se lembrar de suas próprias escolhas – e de como elas devem, de fato, pertencer a você mesmo.

Quando eu tinha 34 anos, inventei que tinha 36. A intenção era fazer com que as pessoas me olhassem espantados: “Nossa! Não parece”. Agora, não preciso mais inventar. Eu cheguei aos 36.

O limbo dos 35

Por que ter 30 anos é esse terremoto na vida da mulher?

As pessoas fazem 30 e alguns anos e parecem começar a achar que estão automaticamente com a corda no pescoço. Acham que já deviam ter formado família, ficado ricos (ou pelo menos construído um bom patrimônio) e resolvido qualquer outro penduricalho da vida.

Parece que os 30 deixaram de ser a linha de largada para a vida e passaram a ser uma espécie de reta final, como se os 40 fossem o princípio do fim.

Os 40, definitivamente, não são o encontro com a morte, a beira do abismo. A vida não é para ser uma corrida contra o tempo. A gente tem que ir andando, dando umas reboladas, umas tropeçadas e tal. E vai rindo, vai pensando, vai vivendo. Vivendo. Porque enquanto o futuro está lá, a vida está rolando aqui.

A atriz Emma Watson, como a maioria de nós, também não entendia o que havia de tão importante em fazer 30 anos. “Percebi que é porque de repente há um fluxo enorme de mensagens subliminares em volta de você. Se você não tem uma casa, não tem um bebê, e está fazendo 30 anos, se você não está num lugar muito seguro de sua carreira, se você ainda está descobrindo coisas… é um montante de ansiedade inacreditável”, revelou em entrevista para a revista Vogue britânica.

Ela disse também que não acreditava que era possível ser feliz nessa idade sendo solteira. Hoje ela reproduz esse discurso e diz com segurança que é sua própria parceira. Que conceito bonito: ser sua própria parceira.

Ter 30 anos não é só um guinada porque o relógio biológico começa a te lembrar que você tem um ovário e um útero e poderia usá-los de outra maneira que não fosse apenas impedi-los de funcionar. Estar prestes a fazer 30 anos é questionar seu trabalho, seu dinheiro, o que você construiu, o que sonhou e o quanto está longe de alcançar. Mesmo que você seja a Emma Watson e seja rica, linda, fazendo sucesso no mundo todo. A gente sempre arruma um espacinho para frustrações.

O “limbo dos 35” é o nome de uma “teoria” explicada por uma jornalista, que fez muito sentido para mim.

A pessoa com 35 anos vive num limbo, não sabe se casa ou se compra uma bicicleta. Ela quer casamento, filho, segurança, estabilidade, emprego, casa própria e carro na garagem. A vida padrão que seus pais tiveram.

Mas, ao mesmo tempo, a pessoa com 35 anos tem abertura para novos comportamentos. Ela sente um comichão interno que a faz ir em busca de liberdade, flexibilidade, vivências, experiências, viagens. Livre.

Conclusão: ela não fica nem lá nem cá. Ora fica de um lado, ora de outro.

Alguém me dá um propósito!

Uma vez eu li: se você não tiver meta na vida aos 40 anos você já tá acabado.

Eu sinto falta de ter um propósito, uma missão na vida. A gente cava fundo para descobrir um propósito, algo que traga significado para o que fazemos.

Eu queria ter uma paixão estampada na testa, algo pelo qual valesse a pena lutar com unhas e dentes.

O psicanalista Contardo Calligaris defende que mais importante do que a felicidade é buscar ter uma vida interessante.

O que eu preciso fazer para ter uma vida interessante?

Eu preciso realizar um ato heroico? Eu preciso viver em constante bem-estar? Eu preciso ser mais altruísta?

Eu preciso me engajar mais? Eu preciso militar por alguma causa? Eu preciso ter um insight?

Promover uma arte? Criar uma obra? Ter uma vida ocupada?

Meu propósito talvez seja todos esses acima: buscar mais perguntas do que respostas!

Porque ultimamente tenho procurado, procurado, comprado receitas, seguido fórmulas, tomado um monte de decisões precipitadas, e nada aconteceu.

Admiro gente que encontrou seu propósito na vida, que trabalha como se não estivesse trabalhando, que vive um sonho todos os dias.

Vejo-me procurando meu propósito na vida, aquela parada que vai me fazer virar um ser iluminado extraterrestre.

Concluí que talvez o ato de se perguntar o tempo todo onde está esse tal de propósito na nossa própria vida e a abertura de experimentar um pouquinho aqui, um pouquinho ali, ajuda mais do que seguir uma receita de bolo pra vida.

Descoberta de propósito e momentos de felicidade não são coisas que se constroem a partir de receitas prontas.

São construções de longo prazo, onde a curiosidade e a ousadia abrem pista pra gente acelerar, desacelerar, quebrar a cara, corrigir a rota, fazer curva e retorno, até que depois de tanto procurar, a gente encontra um caminho que faça sentido na nossa existência.

Então, se for pra escutar alguém nessa vida, que tal escutar a si mesmo?

Que tal arriscar mais, sem se expor demais, e sem se preocupar demais com o que o coleguinha vai achar de você, sem achar que tem que estar tudo perfeito pra começar, sem perder o foco – fazer poucas coisas, muito bem feitas – e, principalmente, sem deixar que a vida te leve sem que você tenha sequer a chance de levar a vida que sempre quis?

Carreira

A busca pelo propósito é um dos nortes das carreiras atualmente. Mais do que remuneração ou benefício, muitos viram os olhos para essa variável quando estudam a estruturação da própria vida profissional. Mas como descobrir o seu propósito? Para o palestrante João Torres, a resposta passa por um processo de autoconhecimento, através do qual deve-se perceber quais são as suas capacidades de destaque.

“O propósito pessoal é uma questão multifacetada e que está diretamente relacionada com seus dons e seus talentos, ou seja: com aquilo que você é bom. Com o que você veio fazer de diferente no mundo”.

Eu sou uma lifelong learner!

Na primeira vez em que ouvi esse termo, tive que recorrer ao tradutor. Depois de descobrir a sua tradução literal, Eterno Aprendiz, pude dizer que: eu sou uma lifelong learner e não sabia!

Olha aí o meu propósito, a minha definição, a minha meta de vida! Olha aí algo que eu quero ser pra sempre, me aprofundar.

Não quero mais dizer que sou uma jornalista. Quero gritar aos quatro cantos que, agora, eu sou uma lifelong learner.

O trabalho pode trazer um senso de preenchimento e propósito, mas não apenas ele. Nossa vida pessoal, nossos valores, nossa família, nossa participação na comunidade também têm um papel importante para a felicidade e o sentido.

O trabalho não é a vida. É parte dela.

Pequenas alegrias cotidianas

Photo by Adi Goldstein on Unsplash
  • tomar banho quente no inverno e morno no verão (o chuveiro é o melhor lugar para refletir sobre seus sonhos e traçar metas para realizá-los)
  • acordar sem despertador
  • escova de dente nova
  • arrancar etiqueta das roupas com as mãos (sem rasgar a roupa rs)
  • deitar em roupa de cama lavada
  • dirigir escutando música
  • cheiro de café
  • gosto de pão com manteiga derretida
  • abraço de vó
  • beijo de criança
  • golden hour — período em que o sol está se pondo e somos agraciados por sua luz (quase) dourada
  • noites bem dormidas
  • roupa nova
  • conversa fiada
  • caminhar calmamente até o ponto de ônibus e esperar menos de um minuto
  • todo tipo de gentilezas gratuitas.

Coisas extremamente simples acham um lugar imortal no coração.

Momentos pequenos e comuns (mas incrivelmente bonitos) que constituem minha vida diária.

Se pararmos para pensar nos Pequenos Prazeres, vamos ver que eles importam e muito. Pequenos momentos do dia a dia, como comer uma manga, tomar um banho quente, conversar com alguém querido ou ver fotos antigas, podem estar entre os prazeres mais comoventes e satisfatórios.

Pequenos atos podem mudar o dia de uma pessoa.

Pequeno prazer é um grande prazer que ainda não recebeu o reconhecimento coletivo que merece (do texto “Por que os pequenos prazeres importam”).

O extraordinário se apresenta todos os dias na nossa frente permeado na beleza do ordinário, do cotidiano, do dia a dia.

“Lembre-se disto: há uma dignidade e uma proporção a serem observadas na realização de cada ato da vida”. Marco Aurélio

Essencialmente, não importa se estamos realizando feitos supostamente grandiosos, como escrever romances ou estruturar empresas, ou cotidianos, como assar pães ou limpar a cozinha. Desde que tenhamos orgulho do que fazemos, podemos nos orgulhar de nós mesmos.

É o extraordinário dentro do ordinário.

Que nossos olhos nunca se cansem de catar assombro no cotidiano. Nunca.

As maravilhas de uma vida comum.

Temos que saber apreciar o que é cotidiano. Coisas corriqueiras e pequeninas.

Que desgraça é essa que acontece na vida adulta que a gente, sem sentir, rompe com tantas coisas que gostamos?

And, so I’ve made a tremendous effort in finding heaven (or something close to heaven) in the daily moments I’ve taken for granted: the morning’s first cup of coffee, a good run, a hot shower after a good run, a trip to the grocer to pick up fresh ingredients for dinner, dinner, red wine with dinner, chamomile tea after dinner, the book one might read while drinking the chamomile tea after dinner, the cold chill of the pillow and the sheets that stood idle while you were away, discovering a stranger’s clothes can fit you like your own clothes upon frequenting vintage clothing shops, sushi, sake, friends. Cole

Combo do dia #08 – Gregorio Duvivier

Um texto + uma música + um prato

O que eu aprendi lendo Gregorio Duvivier

  • Saia à francesa. A despedida não é um momento bom para ninguém. Pule essa parte. A única escapada decente de uma festa é aquela que ninguém percebe.
  • Dê uma desculpa só. Duas desculpas são menos fortes que uma, três são menos fortes que duas e por aí vai.
  • Para saber se o espaguete está pronto, jogue um fio na parede. Se grudar, está pronto.
  • Se quando venho, venho da, quando vou, craseio o a. Se quando venho, venho de, quando vou, crase pra quê?
  • Angule o iPhone ou o iPad do seu amigo numa posição em que você consiga ver as impressões digitais. As quatro marcas de dedo mais visíveis pousarão sobre os números que compõem a senha.
  • Não se amplia a voz dos imbecis. Responder a uma crítica é amplificá-la.
  • Preguiçoso trabalha dobrado. Vai devagar que eu tô com pressa.
  • Right to tight, left to loose. Para a direita a torneira fecha, para a esquerda abre. O mesmo vale para parafusos.
  • Lave as louças assim que acabar de comer. O tempo que passou desde que você comeu é proporcional ao quanto é insuportável pensar em lavá-las.

Música: Sei Lá

A vida é uma coleção de saudades e o que eu posso dizer?
Mexendo na minha coleção hoje eu lembrei de você, yeah

E o prato do dia foi…

  • Salada + arroz integral + feijão + farofa de dendê + peixe grelhado